quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ecos

"De vez em quando a eternidade sai do teu interior e a contingência substitui-a com o seu pânico. São os amigos e conhecidos que vão desaparecendo e deixam um vazio irrespirável. Não é a sua 'falta' que falta, é o desmentido de que tu não morres".

Vergílio Ferreira

Tenho pensado muitas vezes que a maior parte de nós vive nos outros e através deles. Quando vão morrendo, ou adoecendo, ou envelhecendo, somos sós que morremos, adoecemos e envelhecemos.
Acho que funciona como uma cadeia de fios muito ligados, nunca se sabe bem onde termina uma pessoa e começa a outra. No início, pensei que isso só acontecia com aqueles casais de dois velhos que ainda dão a mão. Aqueles do banco de jardim do Notting Hill. Depois concluí que bastam algumas distâncias, alguns silêncios, alguns cortes que a vida nos dá, para irmos envelhecendo, às vezes bem mais depressa do que nas rugas e na coluna meia curvada.
Eu, por exemplos, não sei distinguir bem o que me tem feito crescer do que me tem envelhecido. Presumo que seja mais ou menos equivalente.
Mas sei que começo a morrer no dia em que o meu avô morrer. E a partir daí não há quem me preencha essa ausência.

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