sábado, 18 de julho de 2009

Vamos coligar-nos e depois logo se vê se conseguimos conversar?

Vamos crucificar Helena Roseta pela coligação com António Costa e Sá Fernandes.
Uma coisa é querer autonomizar-se, num acesso de divergência saudável que até pode soar a cisão, e colocar dois vereadores do Movimento na Câmara de Lisboa. Outra coisa é ter visão estratégica e achar mesmo que está na hora de não levar o Movimento sozinho às urnas, porque o estado da política do País assim o exige.
Que ousada a menina...
Uma coisa é a coligação entre o PSD, o CDS, o MPT e o PPM, todos claramente unidos por ideais comuns, com a ligeira nuance de um preferir uma forma de governo diferente.
É muito melhor enganarmo-nos e pensarmos que estas coligações não são geoestratégicas, que são mesmo baseadas em ideologias de fundo e afinidades de programas eleitorais. Deve ser por isso que o líder do MPT Madeira tem como grande adversário político... o PSD Madeira.
Enfim, que a esquerda queira brincar aos Movimentos, tudo bem, agora coligações com peso eleitoral, e logo em Lisboa, em que o BE até tem algum fôlego... vá, isso é que não.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Não dá para citar geometria

"Todos os ângulos são desejo
É possível fechar o desejo
Mas o desejo apenas se fecha temporariamente. O desejo, com o tempo, reabre
Dois ângulos são dois desejos
Para fechar dois desejos é necessário uma linha maior (é necessária mais força para travar)
Mas o desejo apenas se fecha temporariamente. O desejo, com o tempo, reabre"

Gonçalo M. Tavares, O Senhor Swedenborg e as investigações geométricas

terça-feira, 7 de julho de 2009

O evento de ontem

Ontem Elisa Ferreira respondeu às interpelações de representantes das juventudes partidárias, na Aula Magna da Faculdade de Medicina da UP. Mais preparada para responder a questões relativas à acção social, muito menos para dar respostas concretas a perguntas sobre cultura e educação. Foi útil pela iniciativa em si, de ouvir candidatos numa lógica de proximidade a que não estamos habituados, mas foi, também, revelador: uma certa "apatia" da candidata, facilmente confundível com tranquilidade e serenidade... e uma generalidade e impreparação dos interpelantes, bem colados aos estereótipos do slogan por que militam.
Qualquer alienado perceberia a lógica de ataque candidata/defesa recíproca da coligação PDS/CDS, a revolta incompreensível no tom das perguntas do Bloco de Esquerda, o esforço quase sofrido do PCP, o desânimo de um PS que sabe estar numas eleições para perder.
E digo isto com um misto de louvor e de pena. Não deixa de ser bom ver gente nova com interesse na política, sobretudo na política da cidade, da sua cidade. Mas não sei que trovoada seria preciso para dar chama acesa à discussão, qualidade na oratória e vontade de falar para todos ouvirem.
É que, quando se assume um papel que não o de espectador, há que não ter medo de falar, e de falar bem, quando o pano sobe...